voice search

A pesquisa por voz, ou voice search, deixou de ser uma novidade tecnológica para entrar na rotina diária dos utilizadores online. Do ponto de vista do marketing de conteúdo, isso significa que, mais uma vez, as regras do jogo mudaram.

Mudaram tanto que o número de pesquisas por voz é hoje 35 vezes maior do que em 2008. As estatísticas da Google revelam também que 55% dos adolescentes usam o voice search todos os dias – percentagem que desce apenas ligeiramente, para os 41%, no caso dos adultos.

O crescimento foi, em parte, promovido pela explosão das tecnologias móveis. Com smartphones cada vez mais rápidos e inteligentes, os utilizadores aproveitam para interagir com eles quase de igual para igual, de tal forma que 20% das pesquisas registadas pelo Google Mobile foram feitas por voice search.

A magia do voice search

A maior vantagem da pesquisa por voz é precisamente o novo modelo de interação – sem visão e sem toque – que ela introduz na utilização das tecnologias. A possibilidade de pesquisar a internet sem escrever ou sequer ter de focar o olhar num ecrã abre todo um manancial de potencialidades para o utilizador, que são também desafios para os produtores de conteúdo.

Por outro lado, o voice search responde melhor à demanda de rapidez que caracteriza, cada vez mais, as novas gerações tecnológicas. Se, numa pesquisa por escrito, um utilizador consegue introduzir 38 a 40 palavras por minuto, numa pesquisa por voz passa a conseguir introduzir 110 a 150 palavras por minuto, chegando mais depressa e com mais eficiência ao resultado que procura.

Porquê otimizar conteúdo para voice search

Em 2018 eram já mais de 66,5 milhões de pessoas que usavam assistentes virtuais, só nos Estados Unidos, e o número não pára de crescer. Significa que as pesquisas por voz vieram para ficar.

Neste contexto, a otimização do conteúdo para voice search torna-se necessária, até porque as pesquisas por voz têm características muito próprias. O novo modelo de interação sem imagem, por exemplo, torna as imagens obsoletas, ao mesmo tempo que fomenta as pesquisas em linguagem natural e transforma o featured snippet na única alternativa à invisibilidade total (regra geral, os assistentes só fornecem uma resposta para cada pergunta).

Por outro lado, a interação sem cliques muda todo o princípio tradicional do SEO: o objetivo da otimização já não é gerar cliques, mas conquistar um branding orgânico (porque os assistentes começam as respostas por “de acordo com”, ou terminam com a informação “recolhi esta informação em”). Maior desafio, mas resultados mais impactantes.

SEO para voice search

A otimização de conteúdo para pesquisas feitas por voz requer a consideração de novos modelos de utilização da internet. Por ser possível entrar em conflito com os princípios tradicionais de SEO para pesquisas escritas, pode acontecer que o mesmo conteúdo beneficie de uma combinação de características que o torne apto para os dois modelos de pesquisa.

Os featured snippets

Quando a estatística mostra que 43,3% das pesquisas de voz são respondidas com um featured snippet, e que praticamente 10% das entradas de voice search começam por “como”, “quem”, “o que”, “quando”, “onde” e “porque é que”, escrever conteúdo que responda a perguntas relevantes deixa de ser uma simples opção, até porque essa pode ser a única forma de chegar ao utilizador, se ele usar um assistente virtual.

Neste sentido, importa saber que a resposta média fornecida pelo google a pesquisas feitas por voz é de 29 palavras e que o modelo pergunta-resposta é tão valorizado que as pesquisas em voice search têm quase o dobro da probabilidade de serem respondidas com o resultado de uma página de FAQ.

Não quer dizer, no entanto, que é necessário transformar o seu site numa grande página de perguntas e respostas. Pode incluir estas questões no meio do conteúdo tradicional, ou até investir em pequenos parágrafos esclarecedores e otimizados na linguagem. O algoritmo da Google sabe ir buscar snippets a conteúdo mais longo, não precisa que eles lhe sejam fornecidos “cortados à medida”.

As long tail keywords

Os dados disponíveis mostram que, quando fazem voice search, os utilizadores usam, em média, 4,2 palavras por pesquisa – um número bem mais alto do que as 3,2 palavras usadas, em média, nas pesquisas tradicionais.

Esta informação deixa claro que as palavras-chave mais longas são boas oportunidades para ranquear em voice search, sendo tanto melhores quanto mais próximas estiverem de coincidir com a frase ditada ao motor de busca.

Por outro lado, e sabendo que a Google não recolhe featured snippets apenas em conteúdos curtos, é possível combinar várias long tail keywords no mesmo conteúdo, desde que devidamente destacadas.

Linguagem natural

Com as pesquisas em forma de pergunta a registarem um aumento de 61% ao ano, a interação natural com os motores de busca começa a sobrepor a linguagem humana à linguagem maquinizada.

Neste contexto, a novidade é a inclusão de fillers, quer nos URL, quer nos títulos e palavras-chave. Uma vez que os resultados exibidos pelos motores de busca e assistentes virtuais para o voice search assumem como critério a perfeição de coincidência entre a frase ditada e os termos do conteúdo, a inclusão de palavras até aqui ignoradas pode fazer a diferença na hora do ranking.

voice search tendencia

Conteúdo mais longo

A estatística mostra que os resultados exibidos em voice search tendem a ter, em média, 2300 palavras, em oposição às 1900 palavras médias dos resultados nas pesquisas tradicionais. Neste cenário, investir em conteúdo extenso pode ser uma boa aposta, porque beneficia o posicionamento nas pesquisas por voz sem prejudicar o ranqueamento nas pesquisas por texto.

Termos de localização

A precisão de localização da LTE e a força do mobile (onde são feitas nada menos do que 60% das pesquisas no Google) deram um novo impulso a pesquisas direcionadas localmente. Combinado com o crescimento do voice search em dispositivos móveis – mais propícios a uma interação rápida, ágil e pouco exigente em recursos sensoriais -, este impulso traduziu-se num aumento de 900% em pesquisas que incluem o termo “perto de mim hoje”.

Compreende-se, desta forma, a importância de começar a otimizar os conteúdos para navegações locais, de forma a que se tornem oportunos em contextos muito específicos de pesquisa.

Otimização técnica

Sendo certo que já era fundamental nas pesquisas tradicionais, a otimização técnica dos sites ganha ainda mais relevância no contexto de voice search. Num cenário em que o tempo médio de resposta a um voice search é de 0,54 segundos, qualquer página que seja mais lenta a carregar fica simplesmente fora dos resultados exibidos, porque não consegue responder ao motor de busca em tempo útil.

Imagens só onde elas aparecem

No âmbito da otimização para voice search as imagens assumem um papel um pouco ambíguo. Se, por um lado, a otimização das imagens e respetivas alt tags é importante para dispositivos desktop e mobile, por outro lado perdem relevância nas pesquisas feitas por assistente virtual (onde a resposta é lida em voz alta e não há lugar à exibição de figuras).

Neste contexto, é benéfico investir esforços na otimização das alt tags e da exibição mobile, em detrimento da otimização para assistentes virtuais.

Conclusão

Dependendo da localização geográfica do seu utilizador-alvo, a otimização para voice search pode ser mais ou menos urgente, consoante a penetração (e adoção) da tecnologia no mercado. De qualquer forma, a pesquisa por voz é uma tendência já estabelecida e tem de fazer parte de qualquer planeamento atual de SEO.

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