O ano tem ainda poucos dias e é cedo para adivinhações certeiras. No entanto, olhando um pouco para a frente, interessa estar atento a tendências que se possam desenvolver ao longo de 2020 e que possam marcar as nossas estratégias de curto e médio prazo, no marketing digital.

“Content is king!” Novamente…

O marketing conversacional tão falado ao longo de 2019, e o crescimento acelerado dos assistentes virtuais só me faz constatar o óbvio: vamos, cada vez mais, falar com os nossos dispositivos  em vez de lhes escrever as nossas ordens. A Gartner partilha da minha opinião e defende que o crescimento dos modelos de conversação vai ser consolidado pelo avanço da Inteligência Artificial. 

Por outro lado e no tema das pesquisas, é importante não ignorar o facto das pesquisas visuais de produtos – introduzidas por plataformas de grandes players, como a Amazon – estarem a ganhar força, embora ainda de forma tímida.

Estas duas tendências, são sinais fortes de que a forma como definimos estratégias de otimização de conteúdos para motores de busca (SEO) tem que ser reinventada!

Por falar em conteúdo a famosa frase  “Content is King”, retirada de um artigo de Bill Gates de 1996, tem sido repetida até à exaustão quando se fala de marketing, no digital.

Nos últimos anos o que alguns já fazem de forma brilhante, começa agora a ser uma prática generalizada aplicada pelas organizações, para criar audiências interessadas, envolvidas, fiéis, que partilham, compram e se relacionam com marcas, produtos e empresas.

É também já muito claro para todos a importância de criar conteúdo interessante, relevante e de qualidade.

Mas identificar que tipo de conteúdo se adapta a cada etapa da “buying journey” por exemplo, a forma como a linha editorial das várias tipologias assume um papel fundamental para atingir os resultados propostos, que canais e meios usar para os distribuir para que criem o impacto desejado, e como medir de forma correta e adaptada ao propósito para que foram criados, continua a ser um mistério para muitos.

Assim foram surgindo o que chamo de “cemitérios de conteúdo” com avultadas somas de dinheiro investido, com muito pouco resultado prático.

Importa, por isso, em 2020 consolidar a forma como cada organização conceptualiza, tipifica, produz, distribui e usa as métricas apropriadas a cada tipologia para medir o impacto criado pelos seus conteúdos!

Precisamente nesta temática começam a surgir as novas tendências que vão desenhar as nossas estratégias futuras. Segundo a Martech Advisor, é importante começar a explorar uma abordagem “data-driven” para elevar a produção de conteúdos para outro patamar.

A equação “data + technology + great storytelling = new territories” é a fórmula que muitos começam a testar para alcançar relevância, personalização e criatividade de alto impacto!

A tecnologia…sempre a tecnologia!

Outra forma interessante de olhar para 2020 é notando que, em vez de servirem de motor para novas formas de fazer marketing, as tecnologias vão ser a rede de segurança que garante a sobrevivência do mesmo num mundo que se tornou ameaçador.

Penso, por exemplo, na explosão de ferramentas de “Business Intelligence” – BI e nas Customer Data Platforms –  CDP. Com tanta informação a circular e a oferecer oportunidades imperdíveis, é na tecnologia que o marketing vai ter de confiar para, sobreviver.

Do armazenamento ao tratamento de dados, da automação à personalização, tudo vai assentar na capacidade tecnológica das empresas para gerirem os seus  processos digitais, garantindo crescimento livre para as MarTech.

A ajudar, claro, está a sombra sempre presente da segurança dos dados.

Agora que já passámos a fase do medo com o RGPD (Regulamento Geral de Proteção de Dados) , a privacidade tornou-se mais num dos pilares dos negócios digitais e mostrou que, afinal, fazia muita falta – tanta que até nos países onde o RGPD não é aplicado já começam a aparecer  “herdeiros”, como o CCPA nos EUA ou o LGPD no Brasil. 

A mesma tecnologia que nos traz segurança vai, curiosamente, ter de nos salvar dela. Ainda que seja evidente a necessidade de proteger os dados dos utilizadores da internet, sabemos que era neles que assentavam muitas das estratégias do digital. 

Não podendo dar um passo atrás, resta-nos redesenhar os modelos de negócio para evoluir para um marketing mais contextualizado, de proximidade com os consumidores, mas que permita trabalhar todas as etapas, nomeadamente as de identificação e seguimento de leads pela internet, garantindo a continuidade da personalização digital sem comprometer a privacidade dos indivíduos.

Reservo uma nota final para o 5G. A promessa de um ambiente wireless mais abrangente e mais rápido já nos segue há algum tempo e 2020 assume-se como ponto de viragem.

O 5G promete eliminar de vez os cabos de receção e transmissão de dados. Falamos de, por exemplo, não precisar de box para ver TV, de ter no telemóvel a capacidade de ver um filme em 8K como se estivesse no cinema ou de aceder, dentro do carro, a um supercomputador conectado em permanência com o mundo.

Enquanto marketer, vejo aqui uma caixa de pandora. Vejo a necessidade de reinventarmos o digital, de olharmos para ele como um novo ponto intermédio onde a realidade e a virtualidade se combinam.

Num contexto em que os ambientes digitais são iguais em casa ou na rua, adivinham-se novas formas de interação entre as marcas, a audiência e os produtos.

A experiência do consumidor com a introdução do 5G, vai ser (de novo) reconstruída, os dados vão cruzar-se numa dimensão maior – e não há como não antever profundas alterações no funcionamento de tudo o que é programático, já que nascem novos espaços, momentos e formatos de atenção.

Num mundo em que o carro por exemplo, pode ser a nossa segunda sala de estar e o telemóvel já não significa redução de qualidade, os marketers vão ficar assoberbados com as oportunidades que surgem – e os fornecedores de serviços associados não terão outro remédio a não ser prepararem-se para acompanhar a revolução, oferecendo novas soluções adaptadas a este admirável mundo novo.

Seria difícil terminar sem admitir que estou francamente entusiasmada com o ano de 2020. Dele espero grandes desafios e conto com conquistas de igual dimensão, porque é isso que motiva quem escolheu o digital para a vida. Que nada volte a ser como dantes!

Ana Bicho
Ana Bicho

CEO @ Adclick e uma apaixonada por gestão de negócios e pelo papel que as pessoas representam dentro das organizações. Sou tanto das emoções como dos números. A trabalhar na indústria do marketing digital desde 2013 e com experiência anterior em direção de operações e qualidade na indústria da micro electrónica. Formação de base em Engenharia de materiais com MBA pela Porto Business School.