trabalho remoto

Em tempo de pandemia o Marketing colhe frutos por não ser um serviço essencial à sobrevivência humana: as equipas foram as primeiras a poder abandonar os escritórios e começar a trabalhar a partir de casa.

Assistimos, no entanto, ao nascimento de um desafio que muitos profissionais não esperavam encontrar: a dificuldade em fazer Marketing à distância com a mesma eficiência do trabalho presencial.

O desafio é inesperado porque o Marketing é, por natureza, um trabalho de ligações. Além de grande parte das ferramentas usadas serem digitais – e, por isso, estarem disponíveis em qualquer lugar -, é comum o cruzamento de contactos geograficamente distantes, que levam as equipas a construir pontos de encontro virtuais.

Denota-se, no entanto, ainda alguma desconfiança em relação à qualidade do trabalho permanentemente produzido à distância – não só da parte das empresas, mas também dos próprios profissionais.

Entre as críticas, questiona-se a manutenção da veia criativa das equipas. A falta de rotinas também ameaça a frequência de produção e análise dos relatórios, e, consequentemente, dos ajustes estratégicos. Por fim, e em comum com muitas outras áreas de trabalho, teme-se que a quebra de hábitos, aliada à insegurança normal de uma época pandémica, se traduza numa gradual desmotivação das equipas.

Na Adclick enfrentamos também os nossos desafios. O trabalho à distância, no entanto, não é um deles: as nossas equipas não só tiveram sempre a liberdade de gerir os próprios horários e dias remotos, como também a abrangência internacional do negócio tornou habitual a gestão remota de equipas dispersas. Partilhamos, por isso, algumas das nossas estratégias para manter o negócio independente das geografias das equipas.

Para manter a criatividade

A criatividade é uma das principais armas dos profissionais de Marketing e tende a fluir melhor em equipa. Um inquérito recente revelou que 68% dos marketers acreditam que a quarentena vai “matar” a criatividade nas equipas e que isso vai fazer-se sentir não só na qualidade dos projetos, mas também na solidez dos negócios.

É verdade que a discussão em grupo promove a criatividade, mas é igualmente verdade que essa discussão pode acontecer numa plataforma virtual e não tem, necessariamente, de ser presencial. Há, inclusive, especialistas que defendem que o brainstorm virtual até pode ter mais qualidade.

Assim, a solução passa por encontrar ferramentas de brainstorm digital, que podem ser plataformas de conversação, de videochamada ou de trabalho colaborativo. É uma questão de cada equipa experimentar várias opções e descobrir qual se adapta melhor às necessidades do trabalho e à metodologia que usam habitualmente.

Para conservar as rotinas

As rotinas influenciam várias fases do trabalho de Marketing. Por um lado, promovem a criatividade e criam hábitos de produção; por outro, mantêm constante o fluxo de reporte e análise, suportando ajustes estratégicos regulares e mantendo a eficiência das campanhas.

Manter as rotinas em tempo de isolamento não é fácil, sobretudo porque, ao contrário do que acontece em tempos “normais”, as equipas trabalham em casa. Se pensarmos bem, a grande vantagem do trabalho remoto é poder estar em qualquer parte que não o escritório – e não propriamente a possibilidade de estar em casa fechado o dia inteiro.

Trabalhar a partir de casa durante alguns dias seguidos exige às equipas uma grande disciplina. Os gestores podem ajudar, contribuindo para essa rotina com um planeamento rigoroso, um acompanhamento frequente e uma atribuição regular de tarefas.

Para respeitar as horas de trabalho

Um dos grandes desafios do trabalho remoto é respeitar o número de horas de trabalho. 22% dos trabalhadores remotos admitem ter dificuldade em “desligar” do trabalho e, num contexto em que as equipas estão fechadas em casa o dia todo, a invasão do trabalho na vida pessoal é quase uma inevitabilidade.

No caso das equipas de Marketing, que ainda por cima trabalham numa área sem pausas (as marcas nunca páram e a internet nunca desliga), a dificuldade é acrescida. Cabe aos gestores e líderes de equipa zelar para que os colegas não percam o controlo das horas de trabalho.

Esse controlo pode ser conseguido através das tarefas (tendo o cuidado de não atribuir tarefas em excesso), mas também através do planeamento de momentos de descontração (em equipa ou individuais). Parece um “descanso forçado”, mas é uma forma de assegurar que as pausas são respeitadas e efetivamente revigorantes.

Para manter o contacto entre colegas

A interação permanente é uma das características mais fortes das equipas de Marketing. Quando o trabalho se faz remotamente, a ligação entre colegas fica mais difícil pelo simples facto de não se terem uns aos outros à distância de poucos metros. No entanto, o contacto permanente é um dos principais motores da criatividade, e por isso merece ser promovido em qualquer circunstância de trabalho.

Uma das formas de alimentar o contacto frequente entre os elementos da equipa é a promoção de momentos de interação informal. Estes momentos, que devem ser relaxados, devem servir para que a equipa interaja em torno de assuntos não relacionados com trabalho – pode ser um jogo, uma conversa mais pessoal, uma discussão sobre a atualidade. O objetivo é que, conhecendo-se melhor, os elementos da equipa alimentem um sentimento de presença e se sintam à vontade com os colegas – postura que se traduz em melhor participação criativa e maior motivação para continuar a trabalhar.

Para manter a motivação

Em tempo de epidemia, a ameaça do enfraquecimento económico desperta receios entre os trabalhadores, e as equipas de Marketing não são exceção. É importante que a motivação coletiva seja alimentada e que os colaboradores se sintam reconhecidos.

Revisitar os critérios de avaliação de desempenho das equipas é uma necessidade em cenários de trabalho remoto. O presentismo tem de ser substituído pelos resultados, porque os colaboradores não só precisam de saber como serão avaliados, como também é importante que sintam que os gestores confiam neles e na sua capacidade de organização.

No caso do Marketing, não faltam métricas de avaliação. Os gestores só têm de assegurar-se que essas métricas são definidas com o acordo das equipas, para que todos se sintam envolvidos no processo e não surjam sentimentos de injustiça ou frustração.

Preparar o novo “agora”

68% dos profissionais de Marketing do Reino Unido acreditam que o regresso ao trabalho após o período de epidemia já não será feito nos moldes de antigamente. Entre outras coisas, o trabalho remoto mostrou o seu valor e é possível que algumas empresas venham a encará-lo com maior normalidade.

No caso das equipas de Marketing, pode estar em causa um novo paradigma de trabalho, mais flexível e verdadeiramente digital. A criação será menos presencial e mais colaborativa, e as equipas terão de manter-se unidas na motivação embora separadas pela geografia.

Que este momento sirva de preparação e de “estágio”, e que as equipas se preparem para o futuro que está já aí.

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